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Roblim: A Jornada de um Artista Que Transforma Matéria em Emoção

Taperas de Roblim

Desde as margens do Rio das Almas, onde observava a natureza e seus ciclos, até os salões de arte em Goiânia, Brasília e Recife, a trajetória de Roblim é marcada por uma inquietação criativa que atravessa fronteiras. Nascido em Boa Viagem, Recife, em 1945, sua história é um mosaico de experiências que se mesclam entre o atletismo, o teatro e as artes plásticas, revelando um artista plural que imprime identidade em cada obra.

Após deixar Pernambuco, Roblim se estabeleceu em Goiás, passando por Ceres e Ipameri antes de desembarcar em Brasília, onde se destacou no atletismo, acumulando troféus e medalhas. Mas foi em Goiânia, para onde se mudou em 1969, que sua vocação artística ganhou corpo. Seu talento dramático lhe rendeu o título de melhor ator pela peça Súplica, um reconhecimento que antecipava sua versatilidade e capacidade de se expressar por diferentes formas.

O contato com a escultora Maria Guilhermina foi o impulso para sua primeira exposição, em 1970, no Salão de Arte em Goiânia. O artista, que já demonstrava um olhar atento à estética e à cultura, expandiu seus horizontes e passou a criar pinturas e esculturas que transitavam entre cerâmica, pedra e madeira, além das marcantes carrancas de estilo africano. Seu compromisso com a arte também se evidenciou quando desenhou a pintura de abertura dos Jogos Universitários em Goiânia e preparou carros alegóricos, revelando um espírito que unia tradição e inovação.

Com exposições em cidades como Natal, Salvador, São Paulo e Brasília, Roblim consolidou sua presença no circuito artístico, trazendo para suas obras a essência do cerrado e as marcas de sua vivência. Seu trabalho se desenvolveu a partir de uma observação sensível dos elementos naturais, incluindo animais, plantas e os efeitos da devastação ambiental. José Maria Noleto, em um texto crítico de 1987, destacou um detalhe curioso sobre suas origens na pintura: o artista começou suas primeiras obras usando tintas de sapato, um exemplo da inventividade que sempre caracterizou sua expressão artística.

Ao longo das décadas, Roblim participou de eventos marcantes, como o Projeto Poesias da Terra, realizado em Ipameri, e o Fórum Goiano sobre Cultura, no Museu de Arte de Goiânia. Suas peças carregam memórias de sua trajetória e um olhar profundo sobre identidade e território, elementos que moldam sua produção singular. Sua arte, assim como sua história, reflete um espírito inquieto e um compromisso com o ato de transformar matéria em emoção.

Roblim é mais do que um artista autodidata. Ele é um contador de histórias visuais, um observador da vida e um criador que, através da pintura e da escultura, imprime sentimentos em formas e cores que permanecem vivos na cultura goiana e brasileira. Seu legado segue sendo celebrado nos espaços onde expôs e nas mãos daqueles que, assim como ele, acreditam na arte como um caminho para a sensibilidade e a reflexão.